terça-feira, 29 de novembro de 2016

SE FOI FIDEL



Se foi o Fidel e tem gente comemorando muito.

Por que?

Porque Fidel foi um ditador que matou um monte de gente. E tirou a liberdade das pessoas também. Isso é muito feio. E as pessoas se revoltam com tanta maldade, mesmo que seja em outro país e apenas neste país. As pessoas de bem espumam quando ouvem falar em Fidel.


Já americanos matam no mundo todo, mas é em nome da liberdade. São outros quinhentos.

Isto sim é que é bacana. Matar gente pelo mundo todo em nome da liberdade e em nome de Deus. Invadir países, cooperar para a criação de ditaduras sanguinárias, tudo em nome da liberdade. Criar condições para que estes países se tornem apenas ruínas, um amontoado de poeira e buracos e uma legião de gente fugindo sem rumo. E este povo que fica sem país e sem pátria ainda vai incomodar nos países das gentes boas e brancas.

Os gringos fazem isso tudo em nome de um Deus bom e branco. Tudo em nome da liberdade que Fidel nunca soube respeitar.

Tem gente vibrando com a morte de Fidel.

Vibram porque Fidel matou ricos e matar ricos é algo que choca. A gente vê que todo mundo vira francês, vira belga, vira Charles Hebdo quando os terroristas matam ricos. É feio matar pessoas de bem, pessoas brancas e limpas.

Estes que comemoram a morte de Fidel não sabem quem foi Papa Doc. É só um exemplo, Poderia falar em Fulgêncio Batista ou Pinochet que também foram ditadores sanguinários, mas cito Papa Doc, que matou dezenas de milhares de pessoas, mas estas eram pessoas sem propriedade. Doc, na década de 50, depois de eleito, levou o Haiti rapidamente ao analfabetismo e ao caos na saúde. Mas Papa Doc ninguém sabe quem é, afinal o cara matava só pobres e matar pobres é algo que está dentro de um script aceitável. E com o apoio sabe de quem? Yankees, é claro. Os grandes defensores da liberdade. Tudo em nome de Deus.

Nestes novos tempos, as máscaras estão caindo assustadoramente e a perversidade está saindo do armário numa velocidade assombrosa. Dia destes, numa conversa que tentei ter com um fã do Bolsonaro falei a ele que acho que não se deve apoiar um político que faz apologia da tortura. Ele respondeu assim:

- Mas ele não rouba, né?

Eu não tive condição de continuar o papo, pois o cara está perdido nas prioridades básicas da existência. O sujeito parece que coloca o capital como principal importância da vida. Será isso? E tem um montão de gente que pensa mais ou menos assim. Isto me dá a impressão que esta racionalidade que afirmamos ter é algo ainda muito vago. Não evoluímos tanto assim, como acreditamos.

Aqui no Brasil ainda não consigo entender como esta gente que ajudou a derrubar um governo duvidoso e colocou em seu lugar uma quadrilha comprovada, ainda diz que agora está melhor. Não entendo estes cérebros. São cérebros ilógicos. São seres racionais?

Fidel se foi e tem gente comemorando muito. Não porque ele tenha matado e perseguido. Nada disso. Odeiam Fidel porque ele meteu a mão no capital da elite e mudou as regras do jogo. O fenômeno da revolução cubana sempre incomodou muito as pessoas. É uma espécie de pedra no sapato da consciência de todos nós. Fica ali, irritando. Então Fidel se foi e as pessoas vibram.

Quando Cuba se transformar em um lugar com uma mortalidade infantil graúda e o analfabetismo for de dois dígitos, estas pessoas, as pessoas de bem, vão parar de chiar. Vão dizer que as coisas voltaram finalmente ao seu devido lugar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O PERIGOSO CANGURU PERNETA

Um comunicador de televisão leu a seguinte pergunta que um assistente do programa havia feito à sexóloga.

- Toda vez que eu mudo a posição, a ereção se vai. O que devo fazer pra isto não acontecer?

A sexóloga respondeu com a maior simplicidade.

- Não mude a posição, não mude a posição.

A plateia riu muito da resposta da doutora e Sônia e Mauro, que estavam assistindo pela TV se olharam e riram também, pois eles não tinham este problema, apesar de estarem juntos havia mais de 30 anos.

Acontece que o casal tinha um truque. Haviam treinado a troca de posições, de forma que ela fosse a mais ágil e rápida possível afim de não dar chance pra coisa desmoronar.

Na noite seguinte estavam na cama e depois de meia hora de esquenta, começaram com o clássico papai-mamãe. Passaram-se alguns minutos e ela se dirige a ele.

- Querido, vamos mudar?
- Vamos. Pra qual você quer?
- Quem sabe Frango Assado?
- Tá. Acho legal essa. Preparada?
- Humhum.
- Então atenção. É no três.
- Tá.
- 1, 2 e....
- 3 aaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!

Os dois deram um berro de samurai sincronizado e em irrisórios dois décimos de segundo estavam colados de novo. Ele pergunta.

- E aí? Tudo certo? Sucesso?
- Sim querido.
- Tá dentro?
- Acho que tá.
- Como assim, acha que tá?
- Quer dizer... Peraí. Tá...Tá sim. Que gostoso.
- Eu adoro frango assado, minha franga.
- Eu também, meu galo!

Nem meio minuto depois é ele quem indaga.

- E aí? Quem sabe trocamos.
- Já?
- É.
- Tá bom. Pra qual?
- Canguru.
- Canguru perneta? Mas esta é sempre a última!
- Sabe o que é? Tem jogo na TV.
- Ah é. Final?
- Semi.
- Brasileirão?
- Não.
- Brasileirinho?
- Copa do Brasil, querida... mas quer parar de fazer perguntas? Desse jeito desanda a maionese. Trocamos ou não trocamos?
- Não sei não.
- Por que não sabe?
- Nunca mudamos de frango assado pra canguru perneta.
- E aí?
- Pode ser perigoso, amor.
- Bobagem. Não dá nada.
- Bom...se você diz.
- Preparada?
- Tô.
- Atenção! no três, hein? 1, 2 e...
- Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!

Pouco depois tavam os dois sentados no sofá da sala assistindo seu time metendo o terceiro. Estavam animadíssimos, apesar das bolsas de gelo que estavam usando pra ver se desmanchavam os galos azulados que tinham se formado nas respectivas testas. Nisso, os olhares dos dois se encontram. Caem na risada e é ela quem fala, simulando um chororô.

- Ai, amor.
- Tinhas razão, querida. Não te dei ouvidos. De frango pra canguru o furo é bem mais embaixo. Precisamos treinar esta reconfiguração.
- Igual te amo, amor.
- Me too.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A AUTOCRÍTICA DA ESQUERDA E UM NOVO MODUS OPERANDI POLÍTICO

Assisti a um vídeo bem interessante. Americano. Fala sobre a vitória de Trump e é uma autocrítica da esquerda, centrada no fato de que “a esquerda decidiu que qualquer outra visão de mundo, qualquer outra opinião contrária a ela, é inaceitável.”

“Nós da esquerda não debatemos mais porque vencemos a GUERRA CULTURAL."

É o que o cara do vídeo afirma. Segue.

" Então, se a pessoa é da direita, ela é uma aberração, é malvada, é racista, é estúpida. Como você acha que as pessoas de direita vão votar, se você fala assim com elas? Quando é que alguém foi convencido, sendo insultado e rotulado? Então, se a pessoa for de direita, acaba sendo atacada por expor sua opinião. Por isso as pessoas de direita esperam até o momento de estar em frente às urnas. Ali não tem ninguém mais monitorando. Em frente às urnas não há culpa, nem vergonha e o cara pode fazer o que realmente pensa. E todas as pesquisas erraram. As pessoas não podem mais dizer o que pensam, pois a esquerda não as deixa se expressar. Então as pessoas de direita se sentem intimidadas até pra responder pesquisas. E mentem. “

Óh, que peninha...

É o que o vídeo diz. “Perdemos a capacidade do diálogo. Já não temos a habilidade para o convencimento.”

Então, baseado nesta profunda análise, quando você encontrar alguém que pede a volta dos militares, você não pode chamar de toupeira de jeito nenhum, pois ele vai ficar puto e vai querer que no futuro enfiem agulhas debaixo de suas unhas. Você tem de ter toda a calma, puxar uma cadeira e explicar pra pessoa, tintin por tintin todo o imbróglio. Ele não vai ouvir o que você tá dizendo, afinal ele já tá magoado com os esquerdopatas, mas não esmoreça. Continue explicando. Talvez leve alguns dias, ou até meses, mas a política é assim mesmo. É a arte do convencimento.

Quando alguém vier falar que Direitos Humanos é coisa de Petista bandido, você tem de sentar com o cara, com toda a calma e dar um breve histórico sobre o que se trata, de onde surgiu, em que época surgiu, pra que que serve o tratado dos direitos humanos. Nada de chamar o cara de pateta ou assemelhados, pois isso vai dar nele uma vontade danada de votar em quem faz apologia da tortura.

Quando alguém vier dizer que o Chico mama na lei Rouanet e que ele compra suas canções, você tem de se conter pra não chama-lo de imbecil e também não pode falar de jeito nenhum que é uma desonestidade intelectual seguir espalhando isso, mesmo depois de tudo ter sido desmentido, se não esse cara vai se injuriar e vai acabar votando num Pauderney ordinário destes.

Quando alguém vier dizer que as tropas do Maduro já estão no Brasil ou que os Haitianos fazem parte do exército comunista que a Dilma tava montando pra roubar as propriedades das pessoas de bem, você fica frio. Nada de chamar a figura de zumbi ou algo parecido. Eu sei, eu sei. Dá vontade até de espancar, mas segura a onda. Oferece um copo d’água com açúcar e meio Rivotril. Faz uns carinhos na cabeça e explica devagarinho que isto tudo que ele tá imaginando é meio que impossível que aconteça.

Quando alguém vier falar em meritocracia, deixa falar. Concorda com tudo. É isso aí. Num país onde há liberdade, todos temos chances iguais. O carinha pode ter nascido no morro, pode ser filho de mulher estuprada por traficante, pode ver gente degolada na frente de casa toda hora, pode cheirar cola com 10 anos. Não dá nada. Basta se esforçar um pouquinho (as pessoas de bem sempre gostam de frisar este “um pouquinho”) que se chega lá.

Quando alguém vier dizer que o estado está inchado e falido e que o estado tem de acabar por causa disso, nem pense em tocar no assunto da sonegação das mega empresas, porque o cara vai lhe responder que empresa sempre tem de receber isenção pra poder gerar empregos e que pra ter mais empregos ainda, seria importante também acabar com mamatas como férias, décimo terceiro e até horário pra almoço. É muita facilidade pro trabalhador e isto atrapalha a economia. O ministro da educação falou dia destes que é preciso acabar também com as regalias dos professores. Professor também atrapalha o mercado, ora vejam. Se o cara falar sobre tudo isso, e que inclusive está mais do que correto chamar o Frota pra dar pitaco sobre a educação, a princípio concorde com tudo. Talvez você consiga uma brecha pra confabular um pouco sobre o assunto com uma boa quantidade de diplomacia, com muito cuidado pra não fazer o cara chegar à conclusão de que ele não passa de um babaca perverso. Porque daí o sujeito fica bravo, né? Daí você já sabe. O cara vai pra urna e vai com raivinha.

É isso aí. Falha nossa. Quem sabe hora destas a gente acerta.

QUEM É QUE NÃO TEM UMA VONTADEZINHA DE CHORAR NA FRENTE DO COMPUTADOR?


Um amigo de minha mãe ligou pra ela querendo saber se ela ainda estava pelo planeta. Minha mãe tem 83, ele 92, e apesar da idade avançada, o cara é muito ativo. É viúvo, mora no Rio de Janeiro, é bom arquiteto e ainda trabalha.

Num determinado momento da conversa, confessou não chegar nem perto de computador. Tem nojo. Chama o computador de Capeta.

Celular também nunca teve, e caixa eletrônico, contou que dia destes, notando que o banco estava vazio, resolveu experimentar.

Terminou a história assim;

- Olha, Magali, comecei a mexer ali e quando vi, não sei como, os caras tinham me dado um empréstimo de 30 mil. Fiz um fiasco, ansioso atrás de atendentes e gerentes pra desfazer o imbróglio. Uma baita incomodação.

Já faz muito tempo, minha sogra deu um computador de presente pra minha mulher. Decidimos que a máquina ficaria na sala e eu, desconfiado como um cachorro de rua, levei uns 3 dias pra me decidir a mexer naquilo. Ficava só na volta, assistindo a minha mulher, com o tal de mouse na mão, tecendo todo tipo de elogios praquele trambolho.

Numa tarde em que não havia ninguém em casa, resolvi me aproximar e sentei pra furungar um pouco naquele mundo completamente inóspito. Depois de meia hora de clicks e desclicks a esmo, desliguei o PC, saí pela casa com as mãos nas costas e sentenciei taxativamente: Este troço não serve pra nada.

Por estes dias, a página do Hotmail, ou Outlook teve alterações. Carácoles. Por que estes caras tem de estar sempre mudando as paradas com as quais a gente cria intimidade? Pra melhorar,  dizem eles. Tá certo. To me acostumando, embora muitas vezes, ache que eles complicam um pouco as coisas e assim as pioram. Até estes cabeções da informática erram. Já cheguei a esta conclusão, mais de uma vez.

Agora me diga. Quem é que não tem, de vez em quando, uma vontadezinha de chorar em frente ao computador? Por não saber os caminhos corretos pra se chegar até os fins? É preciso dispender um certo tempo pra estudar e descobrir todos os meandros, (ou pelo menos parte deles), que existem no universo gigantesco deste eletrodoméstico. Mas temos preguiça disto. A própria tecnologia nos torna ainda mais preguiçosos pra fazer este tipo de coisa. Estudar a máquina para dela tirar melhore proveito. Sempre queremos uma resposta rápida e precisa e quando ela não vem óh... vontadezinha de chorar. Às vezes, a resposta está na tela, na nossa cara, mas como estamos putos, não conseguimos enxergá-la. Não é?

Tem uma frase do Nietzsche (esse nome tenho de copiar letra por letra) que fala sobre este assunto; "Sempre que numa inovação nos mostram algo de antigo, ficamos sossegados."

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

VINÃOVI

Não vi Tom.

Assisti a Stevie Wonder bem de pertinho e a Ray Charles bem de longinho.

Não vi Santana nem Bil Evans que estiveram aqui em PoA, mas por aqui assisti a Corea e a Hancock juntos e também ao austríaco Zawinul que me fez perder a tampa do cérebro quando executou umas escalas num teclado invertido que havia programado com baixos à direita e notas altas à esquerda.

Não vi Miles. Um amigo contou que quando se iniciou o concerto, parecia uma nave espacial pousando.

Fui assistir a Pastorius em Madrid, só que ele não foi. Disseram que não conseguiram tirar o cara da cama de um hotel da Bélgica. Doidaraço. Pouco tempo depois morreu.

Nesta época, fiquei sabendo que Corea fez um concerto em Barcelona e usando um efeito de voz no teclado somado aos vocalizes da cantora Gayle Moran, levou a plateia a experimentar o fenômeno da histeria coletiva. Quem já ouviu turbina de avião a todo vapor, bem de perto, sabe mais ou menos sobre o que estou falando.

Também nesta mesma época e cidade, me contaram que Keith Jarret, ao qual nunca assisti, estava passando o som, infernizando a vida de um afinador de pianos, quando de repente encasquetou que havia um calombo em cima do palco e disse que com aquilo não tocaria. Tiveram de chamar marceneiros pra tirar o carpete e aplainar a suposta saliência até ficar do agrado do lock.

Vi Al Jarreau e Mclaughlin na Plaza de las Ventas em Madrid. Foi bem legal, mas na noite anterior havia assistido ao melhor show de minha vida no mesmo local. George Benson. Isto foi em 86. Já faz 30 anos.

Em Madrid, num ginásio, assisti a Caetano e no dia seguinte, vi Bethânea de longe e ouvi os espanhóis a meu lado comentando que ela era gostosa. Estávamos bem longe mesmo.

Assisti à Guernica, de Picasso.

Sim, é um quadro. Mas tem som. Guernica grita.

Da mesma forma que quando pela primeira vez caminhei pelas areias de Copacabana e me deparei com aquele fantástico paredão de prédios. É uma sinfonia aquela arquitetura toda. A história, ali berra.

Assim como berrava um morro que vi em frente ao mar, numa praia da Bahia, num dia em que fazia um sol de justiça. Uma parede de verde exuberante que emanava sons de vários séculos.

Já faz anos, subi as escadas de um teatro de Santa Rosa no exato momento em que GibaGiba, Neto, Ernesto, Neguinho Edson e outros, de que não recordo o nome, iniciavam a apresentação de uma canção. Alguma coisa diferente começou a acontecer ali. Ficou tudo conectado e em câmera lenta. Foi um contato com um algo a mais, talvez aquilo que costumamos chamar de superior. E não foi loucura da minha cabeça. Quem estava comigo dividiu o assombro. Ficamos de boca aberta, aparvalhados, nos perguntando o que havia acontecido, quando a canção terminou.

Num bar chamado Oba Oba, assisti a um guitarrista inglês dando uma canja no meio de um grupo grande de brasileiros. O pau tava comendo. O ritmo era tribal em dois acordes. O cara botou uma distorção e fez um solo esquisito, torto pra caramba com poucas notas. Num determinado momento meteu a alavanca e veio a microfonia aquela. Foi meneando o corpo bem devagar praquele som ir desaparecendo pouco a pouco. No momento em que o som da guitarra sumiu por completo, ele ficou sem emitir nenhuma nota por alguns compassos, com a postura física estática, e os músicos todos entenderam que aquela pausa era uma pausa genial e fazia parte do solo. 


Não vi Tom...mas vi Elis.


pOa - novembro - 16

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

PAULINHA E O JOTA

Jota e eu somos pessoas parecidas. Falamos pouco e quase não sorrimos. Além destas particularidades, meu amigo tem também o gesto antes da palavra. É como se ele se expressasse antes com as mãos e depois com a boca. Cria uma espécie de dessincronia que dá a sensação de repetidas falhas de dublagem.

Mas o que quero contar é que por estes dias, o Jota andou lançando o verbo em cima da Paulinha e não é que foi bem sucedido?

Tem muita sorte meu amigo, afinal de contas, Paulinha tem quase 20 a menos, um corpão fantástico, resultado de 5 dias semanais de academia e a menina, na tarde de ontem, convidou-o pra tomar um inocente café em sua casa e logo rolou um clima forte e de repente se pelaram e foram pra cama, e a menina possuidora de um fogo descomunal aliado a um fôlego de maratonista foi tomando a iniciativa, já se dirigindo aos entretantos, deixando meu amigo atônito e aparvalhado, se rendendo, sem reação, àquele tsunami de volúpia, e a moça bombada bombou e bombou e bombou, e o Jota resolveu que não ia se michar, que ia encarar aquele pique, e bombou também, e ela com aquele corpo atlético feito de concreto resolveu então cavalgar, e aumentou o ritmo e fez exigências e o cara foi se virando do jeito que podia, caprichando na performance, na raça, bombando legal, o pulmão, um chinelo velho, já tinha começado a chiar um pouquinho da bronquite, mas não dá nada, vá bomba e vá bomba até que de repente rolou um estalo no peito, um troço agudo, assim como um pneu que fura com um prego, mas Paulinha nem aí, nem bola, não viu nada, seguiu no ritmo frenético, que gostoso, até que de repente reparou que a coisa tinha ficado esquisita, notou que a parada desandava e com assombro viu que o rosto do Jotinha tinha adquirido uma tonalidade azulada, os olhos do querido estavam mortiços e ele esboçava o sorriso idiota de quem já não estava mais entre nós, então Paulinha paralisou os movimentos e gritou, não sem antes dar um tapão naquela cara apatetada pra ver se trazia o cara de volta.

- O que é isso, homem?! Tás passando mal?!

A resposta veio grave, como se ele estivesse sendo estrangulado já dentro da cova.

- Tô morrendo.
- Não faz isso não! Não vai morrer aqui na minha casa não! De jeito nenhum!
- Não?
- Não. Isso vai dar merda, porra! Eu sou casada!

Já com a baba escorrendo pelos cantos da boca, com um cabelo de voz, meu amigo respondeu.

- Devia ter me contado. Acho um tesão ficar com mulher casada.
- Mas tu não pode morrer aqui!
- Tranquila, gata.
- Como é que vou ficar tranquila, Jota?
- Se eu bater as botas, arrasta meu corpo pelo apartamento e larga lá no corredor.
- Ah sim, que beleza! E como vou explicar um morto pelado na frente da minha porta?
- Sei lá. Diz que quando tu chegou não tinha ninguém ali. Diz que não sabe de nada. Faz uma queixa pro síndico depois, acusando o zelador de relapso e porco. Ah. E minhas roupas, picota tudo e vai jogando no vaso aos poucos e dando descarga.

Neste momento, uma enfermeira entrou no quarto 156 do Hospital de Cardiologia de PoA e interrompeu o relato que o Jota me fazia. Uma baixinha simpática, que já foi mandando:

- E aí? Como é que tá, Seu Jéferson? Tudo tranquilo? Precisamos trocar o soro agora.

Jota, sem mudar um pelo da fisionomia, ofereceu o braço à atendente e, me olhando fixamente, continuou solando com sua monocórdica e lenta voz.

- Daí, véio, a mina pulou da cama no desespero e chamou a Samu. Chegaram rápido, ainda bem, e me botaram uma máscara, que eu tava ruim de ar, brother, tava me finando, pensei que ia abrir vaga, e ontem de noite me furaram com o cateter e deram uma desentupida no bobo. Acho que me safei desta vez, mas vou ter de regrar minha vida, véio, porque senão não vai ter mais mina e sem mina não tem vida, Bro.

Jota fez uma pausa pra fiscalizar a troca do soro e a enfermeira aproveitou a pausa.

- Agora, Seu Jeferson, vou pedir pra seu amigo sair, pra revezar a visita. Tem gente aí fora querendo lhe ver.

Jota franziu a testa e indagou.

- E quem seria tal pessoa?
- Sua filha Paulinha. Está ansiosa. Faz mais de meia hora que espera.

A informação fez Jota se engasgar com o cuspe e experimentar um breve acesso de tosse. Nos olhamos, compenetrados e sérios, estudando a situação. Já havia comentado que quase nunca sorrimos, e isto acontece até mesmo quando a piada é boa.

Antes de fechar a porta dei um aceno a meu amigo que me olhava preocupado, com os olhos de um cachorro que lambeu graxa.

Ao passar pelo saguão me deparei com Paulinha sentada no sofá, com uma expressão de Madre Teresa no rosto. Reparei na mini saia e na rasteirinha. Coxas de tirar a paz do planeta. E ela vai entrar no quarto assim: Exuberando.

Oremos



PoA - outubro - 16

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O JOTA3

Jota tinha saído mais cedo do trabalho e andava pela Osvaldo Aranha quando parou na frente do cinema Baltimore pra ver o que estava passando.
O filme era brasileiro, Marília e Marina, e já que tinha tempo, Jota resolveu entrar. Ele gostava muito de filme brasileiro, porque tinha mulher pelada e cena de sexo, e então pagou a entrada e se aboletou num bom lugar central, já que havia poucas pessoas na sala.
Jota estava apreciando a película,que apesar de ser um tanto poética e lenta, já nos primeiros instantes o premiou com uma cena tórrida que o deixou bem animado, mas por ser jovem e também pelo fato ter acontecido na década de 70, época em que tudo ainda era novo, Jota nunca tinha visto - e nem imaginava que pudesse existir tal maravilha - uma cena de lesbianismo. E tampouco estava preparado para isto, como veremos a seguir.
Quando Marília e Marina iniciaram sua cena com aquele diálogo revelador, um brilho logo tomou conta do olhar de Jota e quando elas começaram a se beijar, ele sentiu seu coração bater na altura do pescoço e então quando se tocaram mais intimamente, o rapaz não teve dúvidas que estava tendo um treco.
As pessoas que estavam mais perto, já preocupadas com aqueles vagos murmúrios, resolveram pedir ajuda quando Jota emitiu um gemido mais alto junto a um suspiro interminável.

As luzes se acenderam e rapidamente dois homens entraram na sala e encontraram aquele rapaz empertigado e imóvel, com o rosto contorcido e fios de baba escorrendo pelo queixo. Um dos homens se aproximou de Saulo e fez algumas perguntas, mas recebeu como resposta apenas algumas poucas palavras balbuciadas sem sentido, algo que mais se parecia a uma reza turca.
- Certamente um mal súbito, pessoal, falou o homem para tranquilizar a plateia.
Notaram então que teriam uma certa dificuldade para tirar o jovem dali, pois o corpo enrijecido dificultaria desvencilhar suas pernas de debaixo da cadeira da frente. Depois de deliberarem com duas senhoras que davam palpites variados, conseguiram com uma manobra engenhosa erguer o cara, e assim o retiraram do cinema.
Por sorte o Cine Baltimore ficava em frente ao Pronto Socorro e os dois homens, correndo entre tropeções, cruzaram a Osvaldo Aranha carregando Saulo como se fosse um tapete enrolado.
Foram direto à emergência e o depositaram numa maca que por sorte estava sobrando. Prontamente chegaram duas enfermeiras, que ao repararem no estranho brilho daquele olhar que agora se fixava incessantemente nelas, acharam mais seguro que o rapaz passasse à frente dos outros pacientes e o levaram direto à sala de neurologia.
Jota que aos poucos ia se recuperando, pode ver o médico se aproximar dele e das enfermeiras, que já começavam a desabotoar sua camisa. Muito magro, beirando os 50 e com um simpático sorriso de caveira o doutor perguntou.
- O que houve, caro jovem?
Jota começou a relatar, enquanto era auscultado.
- Pois é, Doutor, eu estava no Baltimore assistindo Marília e Marina.
- Sim, não assisti ainda. Filme baseado num poema de Vinícius. Gosto muito do poeta. Vá falando.
- Num determinado momento as duas começaram com um clima sensual e isto me pegou de surpresa, então comecei a sentir um calor na nuca.
- Sim rapaz, vire para a parede para eu ouvir sua carótida. Continue.
- Elas ficaram se olhando, foram tirando a roupa.
- Sim meu jovem, diga.
- Os peitos eram muito lindos, doutor. Se acariciavam....
- Sim, rapaz, deixe eu medir sua pressão, mas conte mais......
- Então começaram a se beijar....
- Simmm....isto é bom...quero dizer, é bom ver que sua pressão está baixando. Mas continue.
- e a se tocarem com volúpia...então minha vista foi ficando turva.
- E elas se tocavam muito rapaz?
- Muito, Doutor. Chegou um momento que começaram a se lamber os rostos.
- Sim? Os rostos, é? Acho que vou medir minha pressão também. E então...?
- Então passaram a se lamber os ombros e tudo mais,Doutor e então deitaram na cama com os corpos completamente colados.
Jota não ouviu resposta nenhuma e aquele silêncio o fez virar o rosto quando se deparou com o médico com um olhar transtornado e a expressão possuída por uma careta disforme, sendo amparado pelas enfermeiras que o impediam de cair ao solo ao mesmo tempo que tentavam se livrar, com aflição, das inexplicáveis tentativas que o doutor fazia


















segunda-feira, 7 de novembro de 2016

CREDO

O mundo tá ficando com a cara do Trump.

O Brasil tá ficando com a cara do Bolsonaro.


A elite brasileira decidiu tirar a máscara de vez e agora o combate ao pobre é a céu aberto.

Uma figura abjeta concorreu à prefeitura de Curitiba depois de conclamar seu nojo ao pobre. O espécime foi eleito, e foi eleito pelo pobre.

Em PoA e em Sampa foi coisa parecida. É o suicídio em massa do pobrerio.

No Rio é diferente, SQN.


Lá, o pobre que elegeu o Crivella é 10% ainda mais pobre pois o otário marcha todo o mês com o dízimo. Faz tempo que a cidade do Rio de Janeiro vai deixando de ser malandra pra se tornar mané.

E essa gurizadinha que tá ocupando? Tão sozinhos que dá pena. Sem apoio de lado algum. Só eles nesta luta perdida. Tá tudo dominado. É tudo quadrilha. A lei é quebrada por quem deveria cuidar da lei. Aqueles que eram nossa última esperança fazem parte da conluio quando silenciam, quando tardam, quando postergam. É a nossa cavalaria que, tristemente, nunca chegou.

Mas a gurizada é diferente. Ainda é pura. É digna. 

Aquela menina que discursou com tanta emoção e brilho na câmara de alguma cidade do Paraná, num determinado momento foi interrompida pelo cara que presidia aquela naba. O escroto, teatralmente, se mostrou indignadíssimo com as palavras dela. Mas vocês viram a lata daquele sujeito? Prestaratenção??? Parecia figura tirada dos filmes do Calígula. Um ser decadente, um ordinário decrépito. É a cara do povo que o colocou ali.

Os políticos brasileiros são a nossa imagem. Foi isto que nos tornamos com o passar do tempo e este panorama só vai mudar se houver uma imediata e violenta invasão de baratas venusianas.

Se não for assim, acho que fica pra próxima.



pOa - novembro - 16